Para que serve a água de reuso?

Um dado divulgado pela Prefeitura de São Paulo no final de agosto mostrou que 80% dos gastos com água foram cortados nos últimos anos. Essa economia é possível porque entrou em vigor a partir de 2003 a lei 13.309, que obriga a Prefeitura a utilizar água de reuso na lavagem de ruas e irrigação de jardins e praças públicas.

A água de reuso vem das Estações de Tratamento de Esgoto da Sabesp. É obtida após um processo de tratamento avançado do esgoto gerado pelos imóveis ligados à rede coletora da empresa. O processo deixa-a inerte do ponto de vista bacteriológico. Embora tenha mais de 90% de suas impurezas retiradas, a água de reuso é imprópria para consumo.

A utilização de água de reuso pela Prefeitura implica em dois benefícios diretos. O primeiro, é claro, é econômico. Enquanto o metro cúbico, que equivale a mil litros, de água potável custa mais de R$10, a mesma quantidade de água de reuso sai por R$0,48, no caso de órgãos públicos como a Prefeitura. De 2003 a 2008, os cofres municipais pouparam mais de nove milhões de reais.

O benefício ambiental é ainda mais evidente. Além de garantir a preservação de fontes esgotáveis de água potável, a lei implica no reaproveitamento da mesma água várias vezes. Anualmente, cerca de 950 milhões de litros de água são reaproveitados na Grande São Paulo. Só na cidade de São Paulo, de 2003 a 2008, mais de um bilhão de litros de água foram reutilizados. Recentemente, o Governo de São Paulo anunciou a construção do Aquapolo, maior projeto de água de reuso do hemisfério sul, que tratará em torno de mil litros de esgoto por segundo.

A água de reuso também tem sido utilizada pela iniciativa privada. Embora o custo seja ligeiramente mais alto, cerca de R$0,81 por metro cúbico, a água de reuso barateia custos e pode ser usada no resfriamento de máquinas, em processos industriais e para outros fins não-potáveis.
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