Tenha iniciativa! Tome atitudes!


Está difícil. Está muito difícil viver nesse lugar. Não sei se é a Nova Brasil, se é São Paulo, se é o Brasil, se é o mundo. Mas não me conformo com a falta de iniciativa das pessoas. Gente que vê coisas erradas acontecerem e não fazem nada. Ou porque têm medo (pra que ter medo se está com a razão?) ou porque não é com elas mesmo, então, foda-se. Não agüento viver com pessoas assim.

Não consigo ficar quieta ao saber que uma pessoa roubou (sim, a palavra é roubou!) um pote de iogurte da geladeira da empresa, que pertencia à outra pessoa que o tinha deixado logo de manhã para comer a tarde, e o fez sem que houvesse punição. Se essa pessoa teve essa capacidade, de pegar algo que não era dela da geladeira, o que dirá de uma carteira, um celular que fica sobre a mesa enquanto vamos ao banheiro, ou atender alguém. Pena que não foi na minha frente, senão ia tomar um esporro que nunca tomou na vida.

Outro dia tive que parar o carro no meio da rua dos Trilhos, diante do colégio estadual Camargo Aranha, para retirar do meio da pista uma pombinha que havia se machucado e não conseguia voar. Os carros todos desviavam dela, e certamente, algum ia passar por cima. Antes que isso acontecesse, parei o carro, desci e na praça em frente estavam uns 30 adolescentes idiotas que só assistiam à agonia daquele pássaro, que já durava algum tempo.  Nenhum deles teve a capacidade de pegar o animal para que ele não fosse atropelado. Tive eu que parar o carro no meio do trânsito, para fazer isso. Falta total de iniciativa e, nesse caso, de compaixão. São frios, insensíveis, que só sabem ficar no computador. Bando de nerd.

E quando alguém tenta passar na frente de todo mundo na fila, e ninguém fala nada. Medo de quê? Quem está errado? Tem que falar! “ei, fulano, a fila é lá atrás”. Tenha certeza que outras pessoas virão te apoiar, mas alguém tem que tomar a iniciativa. Abra a boca e fale, reclame, aja, tenha atitude!!! Isso está errado. Furar fila é mania de brasileiro subdesenvolvido e sem educação, e deve ser repreendido.

Está com frio porque o ar condicionado está em 12 graus? E a voz é seu instrumento de trabalho? Reclame. Vá atrás de quem controla o ar gelado e diga que você está ficando sem voz e que isso está lhe prejudicando. Mas não. A pessoa prefere passar frio, detonar a garganta, ao invés de simplesmente defender um direito seu, de ter um ambiente propício ao trabalho.  São pessoas que se um dia o chefe chegar e falar que ela não terá mais cadeira pra sentar, ela vai trabalhar o dia inteiro em pé, com dor na coluna, sem falar nada, porque é “melhor deixar assim né”.

Outro dia, bem de manhã, um deficiente visual tentava atravessar a rua na Haddock Lobo. Eu estava parada no semáforo, só esperando ver qual pedestre ia ajudá-lo. Ele tentava atravessar e quando ouvia o som de um carro de aproximando, ele recuava. Fez isso umas 4 vezes. Abriu o sinal pra mim, eu não andei. Apenas encostei tentando acreditar que alguém iria ajudar aquela pessoa. Ninguém. Então, lentamente, me aproximei dele com o carro e de dentro disse, sem gritar (ele é cego, não surdo), que ele poderia atravessar a rua naqueles instantes, que não havia perigo. Ou seja, acompanhei a travessia daquele senhor dirigindo o meu carro, porque nenhum fdp que passou na calçada teve essa iniciativa. O “muito obrigado” que recebi já valeu meu dia.

Aí de repente cai uma encosta, chega um tsunami, todo mundo morre afogado, soterrado, e o povo se une em solidariedade para ajudar os que sobreviveram. Um empresta o caminhão, outro doa material de limpeza, outro comida, e um mutirão se forma para ajudar aquelas pessoas. Muito bonito, se for pra contar a todos depois que esteve no local da tragédia, postar fotos no facebook, dizer que tem o coração bom porque ajudou com uma lata de óleo. A iniciativa que eu falo não é essa.  A que me refiro é a atitude do dia a dia. De repente essa pessoa que doou a lata de óleo é a mesma que passou batido ao lado do cego, que precisava de ajuda pra atravessar a rua. Não adianta nada. A caridade tem que vir do coração, não da necessidade de holofotes.

A iniciativa é no dia-a-dia. É pegar um papel que caiu da mesa ao lado. É se oferecer para segurar a porta do elevador. Nesses casos a iniciativa tem uma ligação direta com a boa educação, algo que falta a muitas pessoas.

Minha indignação vai continuar por muito tempo. Não vejo no horizonte nenhum sinal de melhora. E isso só me deixa angustiada.